Juiz emite mandado de prisão contra Evo Morales por desacato após ausência em tribunal na Bolívia
O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, foi declarado culpado por desacato após não comparecer a uma audiência judicial nesta segunda-feira (11/05). O Ministério Público boliviano emitiu mandado de prisão e proibição de saída do país, classificando-o como 'fugitivo'. Morales alega perseguição política e nega as acusações de relacionamento com menor, enquanto apoiadores ameaçam resistência a eventual prisão.
Acusações e reações
Evo Morales, ex-presidente da Bolívia, foi condenado por desacato após não comparecer ao tribunal em Tarija, onde respondia por acusações de tráfico humano agravado e relacionamento com menor em 2016. O juiz Luis Ortiz Flores determinou a emissão de mandado de prisão e proibiu Morales de deixar o país, alegando 'ausência injustificada'. O Ministério Público boliviano reforçou que a decisão confirma o 'status de fugitivo' do ex-presidente. Morales, por meio de suas redes sociais, denunciou uma 'guerra jurídica' e perseguição política, afirmando que as acusações são 'fabricadas' para 'aniquilá-lo moral e fisicamente'. Seu advogado, Wilfredo Chávez, argumentou que não houve notificação formal adequada para a audiência. A suposta vítima, Cindy Saraí Vargas Pozo, negou as acusações em documento enviado ao tribunal, afirmando que 'não houve fato nem exploração' e pedindo o encerramento do caso. Ela alega que o crime de tráfico humano não pode ser configurado sem sua confirmação como vítima.
Contexto político e ameaças de convulsão social
Morales permanece em Chapare, região de forte influência de seus apoiadores, desde o final de 2024. Líderes locais, como Dieter Mendoza, representante dos produtores de coca, alertaram que uma eventual prisão do ex-presidente poderia desencadear uma 'insurreição popular' e 'convulsão social'. O governo boliviano, por sua vez, não se pronunciou oficialmente sobre as ameaças, mas reforçou que a decisão judicial deve ser cumprida. O caso ocorre em um contexto de tensões políticas na Bolívia, com Morales ainda exercendo influência no Movimiento al Socialismo (MAS), partido que governa o país. Analistas apontam que a decisão judicial pode aprofundar a polarização no país, especialmente com as eleições presidenciais previstas para 2027.