Reclamações sobre população em situação de rua em Campinas crescem 20% em 2025 e atingem recorde histórico
Campinas (SP) registrou 522 reclamações sobre população em situação de rua em 2025, um aumento de 20% em relação ao ano anterior. Dados do serviço 156 da prefeitura indicam que esse é o maior número dos últimos cinco anos. Especialistas apontam múltiplos fatores para o crescimento, incluindo falta de moradia, desemprego e uso de substâncias. Moradores de bairros como Cambuí e Vila Industrial relatam aumento de furtos e sensação de insegurança.
Dados e crescimento das reclamações
O número de reclamações sobre a população em situação de rua em Campinas (SP) atingiu 522 em 2025, representando um crescimento de 20% em comparação com 2024, quando foram registradas 435 queixas. Os dados, obtidos pelo serviço 156 da prefeitura, mostram um aumento contínuo nos últimos cinco anos: - 2021: 225 reclamações - 2022: 282 reclamações - 2023: 402 reclamações - 2024: 435 reclamações - 2025: 522 reclamações - 2026: 68 reclamações (até 27 de abril) O último Censo realizado em 2024 identificou 1,3 mil pessoas em situação de rua na cidade.
Bairros mais afetados e relatos de moradores
Os bairros com maior número de reclamações incluem Cambuí, Jardim Londres, Bonfim, Cidade Jardim e Vila Industrial. Moradores desses locais associam a presença de pessoas em situação de rua a um aumento nos furtos e à sensação de abandono. A costureira Roserci Boletini, da Vila Industrial, relatou: "Tem uns quatro anos que tem muito morador de rua, eles estão concentrados agora todos ali na praça. Eu acho um absurdo isso. E tem muito aqui, roubo de lixeira, roubaram todas as lixeiras da rua." O manobrista Carlos Cabral, que também reside na Vila Industrial, confirmou a situação, destacando a falta de segurança e a deterioração do espaço público.
Análise de especialistas e desafios
O sociólogo e professor da PUC-Campinas, Everton Silveira, que estuda o tema há mais de 30 anos, afirmou que a situação de rua é resultado de um complexo de fatores. "As pessoas não estão na rua somente pela falta de moradia, [...] pelo uso do álcool, ou porque elas estão fugindo da sua família, ou porque elas estão sem trabalho. [...] Nós temos um complexo de fatores que geram a situação de rua", explicou. Silveira destacou a necessidade de uma abordagem mais articulada e sofisticada para resolver o problema. "A gente precisaria hoje ter serviços mais complexos do que mais serviços. É uma articulação entre o Estado, as organizações sociais e a sociedade civil como um todo", analisou.