Cágados de floresta nacional no ES estão contaminados com bactérias resistentes e antibióticos de uso hospitalar, aponta estudo
Pesquisa realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com universidades brasileiras revela que cágados da Floresta Nacional de Pacotuba, em Cachoeiro de Itapemirim (ES), estão contaminados com bactérias resistentes a antibióticos de uso hospitalar. Os animais, considerados bioindicadores ambientais, acumulam poluentes ao longo de suas vidas, que podem ultrapassar 100 anos.
Contaminação e fontes poluidoras
Os cágados analisados apresentaram bactérias resistentes a antibióticos comumente utilizados em hospitais. Segundo o médico-veterinário e professor Paulo Henrique Braz, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), a contaminação pode estar relacionada ao descarte inadequado de medicamentos pela população ou ao despejo de dejetos hospitalares nos lençóis freáticos. A presença desses poluentes no Rio Itapemirim, mesmo dentro de uma área de proteção ambiental, levanta preocupações sobre a eficácia das medidas de conservação.
Importância ecológica dos cágados
Os cágados são classificados como bioindicadores, ou seja, sua saúde reflete diretamente a qualidade do ecossistema em que vivem. Por terem uma expectativa de vida que pode superar um século, esses animais acumulam substâncias tóxicas ao longo dos anos, tornando-se indicadores precisos da poluição ambiental. A contaminação detectada na pesquisa sinaliza riscos não apenas para a espécie, mas para todo o ecossistema da Floresta Nacional de Pacotuba.