Unicamp lança disciplina 'Feminismo de Dados' para combater preconceitos em algoritmos de IA
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) introduziu a disciplina de pós-graduação 'Feminismo de Dados' para abordar vieses em algoritmos de Inteligência Artificial (IA). Criada pela professora Sandra Ávila, a disciplina surgiu após a constatação de que sistemas de IA falhavam em diagnosticar câncer de pele em pessoas negras devido à falta de diversidade nos bancos de dados. O curso busca analisar como dados podem perpetuar desigualdades e propor soluções éticas.
Origem e motivação da disciplina
A disciplina 'Feminismo de Dados' foi criada pela professora Sandra Ávila, do Instituto de Computação da Unicamp, em 2025. A motivação surgiu durante um projeto de pesquisa para desenvolver uma ferramenta de IA destinada ao diagnóstico de câncer de pele. Ávila identificou que os bancos de dados utilizados para treinar os algoritmos não incluíam imagens de peles negras, resultando em diagnósticos menos precisos para essa população e contribuindo para maiores taxas de mortalidade. A reflexão sobre o tema se aprofundou após a leitura do livro 'Data Feminism' e debates sobre ética em IA durante a pandemia.
Conceito e abordagem pedagógica
O 'Feminismo de Dados' é um conceito proposto pelas autoras Catherine D’Ignazio e Lauren F. Klein, que analisa como os dados representam uma forma de poder. Segundo Sandra Ávila, 'dados são poder, sobre quem o tem e quem não o tem'. A disciplina não se limita a questões de gênero, mas abrange todos os grupos minorizados, como pessoas periféricas, negras, indígenas, com deficiência e corpos fora do padrão. A abordagem pedagógica da disciplina é interdisciplinar, atraindo alunos de áreas como letras e engenharia de alimentos, além da computação. O nome da disciplina inicialmente gerou estranhamento, mas a proposta foi bem recebida.