Conversas com IA podem ser usadas contra clientes em processos judiciais nos EUA, alertam advogados
Advogados nos Estados Unidos alertam que o uso de chatbots de inteligência artificial, como o Claude da Anthropic e o ChatGPT, para obter orientação jurídica pode comprometer a confidencialidade de informações. Uma decisão da Justiça federal em Nova York permitiu que promotores acessassem documentos preparados com IA por um ex-executivo financeiro, argumentando que essas ferramentas não se enquadram na relação de confidencialidade entre advogado e cliente.
Confidencialidade jurídica e IA em disputa
Escritórios de advocacia nos EUA recomendam cautela a clientes que utilizam chatbots de inteligência artificial para orientação em casos judiciais ou situações de responsabilidade legal. A preocupação foi intensificada por uma decisão recente da Justiça federal em Nova York, que autorizou promotores a acessarem relatórios sobre um caso preparado por Bradley Heppner, ex-executivo do setor financeiro, utilizando o chatbot Claude da Anthropic. Os representantes legais de Heppner argumentaram que as conversas continham detalhes de sua defesa e deveriam ser protegidas pela confidencialidade entre advogado e cliente. No entanto, o tribunal decidiu que os documentos gerados por IA eram acessíveis a terceiros em disputas judiciais, pois as plataformas de IA não são consideradas parte da relação jurídica de defesa. Essa interpretação difere da adotada por outro tribunal federal em Michigan, que considerou conversas com o ChatGPT como parte do "produto de trabalho" de um indivíduo em um caso trabalhista. A divergência entre as decisões sugere que o tema ainda está em debate e pode evoluir com novos casos.