Pesquisadores indígenas ampliam produção científica e conectam saberes tradicionais à academia
Número de indígenas no ensino superior brasileiro cresceu mais de 300% na última década, com mais de 53 mil estudantes na Amazônia Legal entre 2012 e 2022. Pesquisadores como Manoela Karipuna destacam a importância de integrar conhecimentos tradicionais à ciência acadêmica, abordando temas como meio ambiente, linguagem e organização social.
Ciência indígena e o diálogo com a academia
O Dia dos Povos Indígenas, comemorado em 19 de abril, marca um momento de reflexão sobre a crescente participação de indígenas na produção científica no Brasil. A pesquisadora Manoela Karipuna, do povo Karipuna, ressalta que a ciência indígena é construída a partir da observação da natureza, do convívio com o território e da transmissão de saberes entre gerações. Esses conhecimentos orientam práticas como o uso de plantas medicinais, o cultivo agrícola e a preservação de línguas, dialogando diretamente com temas globais como mudanças climáticas e conservação ambiental. Nos últimos dez anos, o número de indígenas no ensino superior brasileiro aumentou mais de 300%, com mais de 53 mil estudantes ingressando em universidades públicas na Amazônia Legal entre 2012 e 2022. Para Manoela, esse movimento não se limita à presença física nas instituições, mas representa uma ampliação da forma de produzir conhecimento, historicamente dominada por perspectivas não indígenas. "Por muito tempo foram os outros que contaram a nossa história", afirma a pesquisadora.
Pesquisas no Pará: meio ambiente, linguagem e organização social
No Pará, pesquisadores indígenas como Emiliano Kaba e Vera Arapium desenvolvem estudos que partem da experiência nos territórios para abordar temas como meio ambiente, linguagem e organização social. Manoela Karipuna, por exemplo, destaca a importância dos rios e da floresta para a preservação da história e cultura dos povos indígenas. "Sem os rios, sem a floresta, a gente perde a nossa história", ressalta. A ciência indígena, segundo os pesquisadores, não apenas enriquece o debate acadêmico, mas também oferece soluções práticas para desafios contemporâneos, como a conservação da biodiversidade e a adaptação às mudanças climáticas. Esse diálogo entre saberes tradicionais e acadêmicos tem ganhado espaço em conferências internacionais e políticas públicas.