Venda de imóvel para custear cuidados em asilo reacende laços entre mãe e filha em meio ao Alzheimer
Uma filha relata a difícil decisão de vender a casa da mãe, diagnosticada com Alzheimer, para cobrir despesas de uma instituição de cuidados. O processo de desapego dos pertences revelou-se uma oportunidade de reconexão emocional, mesmo diante do declínio cognitivo da matriarca. A estratégia de envolvê-la em tarefas simples durante a organização da mudança ajudou a preservar sua autonomia e dignidade.
Diagnóstico e decisão financeira
Em 2022, a mãe da autora recebeu o diagnóstico de Alzheimer. Após um quase fatal ataque cardíaco no ano seguinte, que resultou em seis novas prescrições diárias de medicamentos, tornou-se inviável para ela e seu companheiro gerenciar o tratamento em casa. A mudança para uma instituição de cuidados assistidos foi necessária, mas exigiu a venda da residência onde morava há 13 anos para cobrir os custos. A autora destacou que a promessa inicial era vender o imóvel apenas se os recursos fossem essenciais para o bem-estar da mãe, condição que se concretizou diante da realidade financeira.
Estratégias para preservar a autonomia
Diante do declínio cognitivo da mãe, a autora adotou a abordagem conhecida como 'mentira terapêutica' para evitar conflitos e garantir sua tranquilidade. Ao lidar com a corretora de imóveis, por exemplo, explicou a situação antecipadamente e incluiu a mãe em conversas, mas retornou sozinha para finalizar documentos. Para manter a sensação de controle, sugeriu tarefas independentes, como a mãe organizar seu quarto enquanto ela cuidava da cozinha. Essa divisão de responsabilidades facilitou o processo de desapego e reforçou o vínculo entre as duas, mesmo em meio às limitações impostas pela doença.