Barbuda: Ilha caribenha enfrenta restrições de acesso a praias e disputa por terras após furacão Irma
Moradores da ilha de Barbuda, no Caribe, relatam restrições de acesso a praias e disputas por terras após a destruição causada pelo furacão Irma em 2017. Incorporadoras estrangeiras demoliram estabelecimentos locais, como o bar Pink Sands Beach, e avançam sobre áreas de posse comunitária, gerando conflitos judiciais. A lei local reconhece a terra como propriedade coletiva, mas projetos de desenvolvimento ameaçam o modo de vida tradicional.
Destruição e disputas após o furacão Irma
O furacão Irma, em 2017, devastou a ilha de Barbuda, evacuando seus cerca de 2.000 habitantes para a vizinha Antigua. Estabelecimentos locais, como o bar Pink Sands Beach, foram destruídos, e moradores, como Miranda Beazer, perderam suas casas e meios de subsistência. Beazer, ex-dona do bar, relata que incorporadoras estrangeiras ofereceram grandes quantias por terrenos, mas ela recusou as propostas, priorizando a preservação de sua terra. Após a recusa, escavadeiras demoliram o que restava do bar, intensificando a disputa judicial pelo direito de acesso à área.
Lei de terras e posse comunitária em Barbuda
Em Barbuda, a terra é propriedade coletiva da comunidade, um sistema estabelecido após o fim da escravidão em 1834 e reconhecido oficialmente pela Lei de Terras de Barbuda, aprovada em 2007. Os moradores podem solicitar contratos de arrendamento para ocupar terrenos, mas não possuem propriedade privada. A lei garante o direito de consulta e decisão sobre grandes projetos de desenvolvimento, mas moradores alegam que incorporadoras estrangeiras ignoram essas regras, avançando sobre áreas tradicionais sem consentimento.