Brasil intensifica esforços para repatriar fósseis e patrimônios culturais espalhados por 14 países
Governo brasileiro, Ministério Público e instituições científicas trabalham para restituir fósseis de dinossauros e outros patrimônios naturais ou culturais retirados ilegalmente do país. Negociações envolvem 14 nações, com destaque para Estados Unidos e Alemanha, que lideram em número de pedidos de devolução. Acordos recentes incluem a repatriação do dinossauro Irritator challengeri e do manto Tupinambá.
Colonialismo científico e ações de repatriação
O governo brasileiro, em conjunto com o Ministério Público, instituições científicas e pesquisadores, intensificou os esforços para repatriar fósseis de dinossauros e outros patrimônios naturais ou culturais que foram retirados ilegalmente do país e estão espalhados por pelo menos 14 nações. Essa prática, conhecida como colonialismo científico, tem prejudicado a ciência e os museus brasileiros. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), há atualmente pelo menos 20 negociações em andamento para a restituição desses patrimônios. A Procuradoria-Geral da República no Ceará também está envolvida na repatriação de fósseis. Os Estados Unidos lideram a lista de países com maior número de pedidos de devolução, totalizando oito ações, seguido pela Alemanha (quatro), Reino Unido (três), Itália (duas), e França, Suíça, Irlanda, Portugal, Uruguai e Japão, com uma ação cada. Duas solicitações enviadas à Espanha e outras duas à Coreia do Sul foram rejeitadas.
Acordos recentes e patrimônios repatriados
Em abril de 2026, um acordo entre Brasil e Alemanha garantiu a repatriação do dinossauro Irritator challengeri, um espinossaurídeo que podia atingir até 14 metros de altura e viveu no sertão cearense há cerca de 116 milhões de anos. O fóssil estava no Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, desde 1991, após ser retirado ilegalmente do Brasil. Outro marco importante foi o retorno do manto Tupinambá, usado por indígenas brasileiros no século 17, que estava na Dinamarca. Em fevereiro de 2026, 45 fósseis originais da Bacia do Araripe, no Ceará, também foram repatriados da Suíça. O diretor do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri (CE), Allysson Pinheiro, destacou que, além das ações do MRE, o Ministério Público Federal (MPF) também move processos para a devolução de outros materiais, especialmente com a Alemanha.