Governo brasileiro rejeita classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA e acusa família Bolsonaro de interferência externa
O governo do Brasil emitiu nota oficial repudiando a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O Palácio do Planalto afirmou que o Brasil é uma nação soberana e que o combate às facções criminosas é prioridade do Estado brasileiro, sem necessidade de interferência externa. A nota também criticou integrantes da família Bolsonaro por articularem a medida junto ao governo norte-americano, destacando riscos ao sistema financeiro nacional, incluindo o PIX.
Soberania e combate ao crime organizado
O governo brasileiro reforçou que o país conduz um combate permanente contra o PCC, o CV e outras facções e milícias, responsáveis por práticas terroristas em territórios dominados pelo tráfico de drogas e armas. A nota oficial destacou que o Estado brasileiro já aprovou legislação específica para enfrentar essas organizações, com penas que podem chegar a 80 anos de prisão. "Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro", afirmou o comunicado.
Críticas à família Bolsonaro e riscos ao PIX
O governo acusou integrantes da família Bolsonaro, sem citar nomes diretamente, de defenderem interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil. A nota mencionou que a classificação das facções como terroristas pelos EUA foi articulada após uma visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca, onde o senador teria solicitado a medida ao presidente Donald Trump. O Planalto alertou que medidas unilaterais podem enfraquecer o combate ao crime organizado, prejudicar o compartilhamento de informações entre polícias e afetar o sistema financeiro nacional, incluindo o PIX, criado pelo Banco Central.
Diferenciação entre crime organizado e terrorismo internacional
O governo brasileiro diferenciou as ações do PCC e do CV, motivadas principalmente por lucro através do tráfico de drogas e armas, do terrorismo internacional, que atua por razões ideológicas, políticas ou religiosas. "O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional", afirmou a nota.