Jia Zhang-ke estreia curta-metragem 'Torino Shadow' em Cannes e reflete sobre futuro do cinema e IA
O cineasta chinês Jia Zhang-ke apresentou seu novo curta-metragem 'Torino Shadow' no Festival de Cannes 2026, explorando a relação entre sombras, memória e a presença humana no cinema. Em entrevista, ele discutiu os desafios da inteligência artificial, a importância da experiência coletiva nas salas de cinema e a necessidade de preservar a essência artística diante das transformações tecnológicas.
Inspiração e processo criativo
A ideia de 'Torino Shadow' surgiu durante uma visita de Jia Zhang-ke ao Museo Nazionale del Cinema, em Turim. Exausto após explorar as galerias, o diretor se sentou no saguão central e passou a ouvir as vozes que ecoavam ao redor, absorvendo a atmosfera do local. Essa experiência sensorial o inspirou a criar uma obra que mescla sombras, memórias e a presença humana, questionando o papel do cinema em um mundo cada vez mais digital. O curta foi filmado em locações reais do museu, utilizando a arquitetura e a iluminação natural para reforçar a narrativa visual.
Cinema e inteligência artificial
Jia Zhang-ke expressou preocupação com o avanço da inteligência artificial no cinema, alertando para o risco de a tecnologia substituir a essência humana da arte. Ele destacou que, embora a IA possa ser uma ferramenta útil, a experiência coletiva de assistir a um filme em uma sala de cinema é insubstituível. 'O cinema ainda precisa de você na sala', afirmou, reforçando a importância da conexão emocional entre a obra e o público. O diretor também mencionou que a IA pode ser usada de forma ética, mas deve ser controlada para não descaracterizar a criatividade artística.