Polônia recorre à Justiça da UE contra acordo de livre comércio com o Mercosul
A Polônia anunciou que irá recorrer ao Tribunal de Justiça da União Europeia (UE) contra o acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul. O vice-primeiro-ministro polonês, Władysław Kosiniak-Kamysz, afirmou que o país apresentará uma queixa formal até 26 de maio, alegando riscos à segurança alimentar, proteção do consumidor e ao mercado interno. França e Polônia lideram a oposição ao tratado, enquanto Alemanha e Espanha apoiam a medida.
Contexto e oposição ao acordo
O acordo UE-Mercosul, firmado em janeiro de 2026 após mais de 25 anos de negociações, prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas entre os blocos. Críticos, incluindo agricultores e ambientalistas, argumentam que o tratado pode prejudicar produtores locais ao permitir a entrada de produtos mais baratos, como carne bovina, açúcar e frango, provenientes do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O vice-primeiro-ministro polonês destacou preocupações com a segurança alimentar e a proteção do mercado interno europeu.
Posições divergentes na União Europeia
A resistência ao acordo ganhou força no Parlamento Europeu, que encaminhou o tratado para análise do Tribunal de Justiça da UE. A França, representada pelo presidente Emmanuel Macron, classificou como uma 'má surpresa' a decisão de acelerar a aplicação provisória do acordo, temendo impactos negativos no setor agrícola. Em contrapartida, países como Alemanha e Espanha apoiam o tratado, enxergando oportunidades para ampliar exportações, reduzir a dependência da China e garantir acesso a minerais estratégicos.