Base de Nunes aprova relatório da CPI das HIS e poupa construtoras e gestão atual em São Paulo
Vereadores da base do prefeito Ricardo Nunes (MDB) aprovaram o relatório final da CPI das Habitações de Interesse Social (HIS) na Câmara Municipal de São Paulo, excluindo grandes construtoras e funcionários da gestão atual de indiciamentos. O documento propõe apenas o indiciamento do ex-prefeito João Doria e de pequenas empresas, apesar de protestos de movimentos de moradia e da oposição.
Votação e protestos
A votação do relatório final da CPI das HIS ocorreu nesta terça-feira (19) em meio a protestos, vaias e bate-boca entre vereadores e integrantes de movimentos de moradia. A sessão foi marcada por tensão, com manifestantes exigindo a continuidade das investigações e o indiciamento de grandes construtoras envolvidas em fraudes no sistema de renúncia fiscal para imóveis de baixa renda. O relatório foi aprovado por 4 votos a favor (Murillo Lima - PP, Isac Felix - PL, Marcelo Messias - MDB e Kenji Palumbo - Podemos) e 2 contrários.
Exclusão de construtoras e gestão atual
O relatório final da CPI excluiu grandes construtoras, como a Vitacon, e funcionários da atual gestão do prefeito Ricardo Nunes de indiciamentos. A oposição tentou incluir sugestões de indiciamento dessas empresas, mas as propostas foram barradas pelos vereadores governistas. A Vitacon, uma das maiores construtoras beneficiadas pela falta de controle sobre isenções fiscais, havia sido convidada a depor na CPI, mas não foi mencionada no relatório final.
Próximos passos e ação judicial
O vice-presidente da CPI, vereador Nabil Bonduki (PT), ingressou com uma ação na Justiça de São Paulo para tentar dar continuidade às investigações. A Justiça deu prazo de cinco dias para que a Câmara Municipal e o presidente da CPI se manifestem sobre o pedido. A CPI das HIS foi instalada em setembro de 2025 para investigar fraudes na produção e comercialização de moradias populares, incluindo irregularidades como aluguel via Airbnb e compra por investidores.