Coreia do Norte altera Constituição e abandona objetivo de reunificação com o Sul
A Coreia do Norte revisou sua Constituição e retirou termos como 'unificação', 'unidade nacional' e 'metade norte', redefinindo as relações com a Coreia do Sul como 'interestaduais'. A mudança consolida a posse de armas nucleares como prioridade e marca um afastamento histórico do discurso de reunificação mantido desde a era de Kim Il Sung.
Mudanças constitucionais e impacto geopolítico
A revisão da Constituição norte-coreana, divulgada pelo Ministério da Unificação da Coreia do Sul em maio de 2026, introduz alterações significativas no texto constitucional de Pyongyang. Pela primeira vez, o documento define oficialmente as fronteiras do país, incluindo terras limítrofes à China e à Rússia ao norte e à 'República da Coreia' ao sul, além de mencionar águas territoriais e espaço aéreo. A nova redação exclui termos como 'unificação' e 'unidade nacional', substituindo-os por uma linguagem que trata a Coreia do Sul como um Estado separado e independente, segundo análise do professor Jung Kim, da Universidade de Estudos Norte-Coreanos em Seul.
Afastamento histórico do discurso de reunificação
O professor Jung Kim destacou que a mudança não se limita à eliminação de trechos, mas representa um 'afastamento histórico' do discurso mantido desde a era de Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte. Anteriormente, o Norte reivindicava um único Estado coreano, denominado 'Joseon'. Com a nova Constituição, Pyongyang deixa de considerar a Coreia do Sul como uma 'região não recuperada' e passa a tratá-la como uma 'unidade política fora de suas fronteiras'. A utilização do nome oficial 'República da Coreia', em vez de 'Coreia do Sul', reforça o distanciamento simbólico entre os dois países.
Posse de armas nucleares como prioridade
A alteração constitucional também reforça a posição da Coreia do Norte em relação à posse de armas nucleares. O novo texto determina que o país 'não tolerará jamais qualquer violação de seu território', consolidando a soberania e a capacidade nuclear como pilares de sua estratégia de sobrevivência. Para o professor Jung Kim, a revisão demonstra que o regime de Kim Jong Un 'escolheu sobreviver como um Estado soberano, mantendo a posse de armas nucleares', em detrimento de qualquer perspectiva de reunificação com o Sul.