Adoecimento mental no trabalho não é culpa da 'fragilidade' da geração Z, aponta análise
Estudo e especialistas refutam a ideia de que o aumento de casos de adoecimento mental no ambiente profissional está ligado à baixa tolerância à frustração da geração Z. A narrativa de que jovens são mais frágeis ignora transformações estruturais na organização do trabalho, como a normalização da pressão e a internalização da cobrança excessiva.
Pressão e desempenho: a nova dinâmica do trabalho
A discussão sobre o adoecimento mental no trabalho ganhou destaque com a entrada massiva da geração Z no mercado, mas especialistas alertam que a correlação entre fragilidade e aumento de casos é equivocada. Segundo análise do TecMundo, o fenômeno atravessa diferentes idades, setores e níveis hierárquicos, sugerindo causas mais profundas. Uma das principais mudanças apontadas é a perda da excepcionalidade da pressão: o esforço extraordinário, antes reservado a situações críticas, tornou-se parte do cotidiano profissional. O filósofo Byung-Chul Han descreve essa transição como a passagem de uma 'sociedade disciplinar' para uma 'sociedade do desempenho', onde a cobrança não vem mais apenas de superiores, mas é internalizada pelos próprios trabalhadores.