Pacientes usam IA para simular resultados de cirurgias plásticas e frustram expectativas, alertam médicos
Pacientes estão recorrendo a ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT e aplicativos especializados, para simular resultados de cirurgias plásticas e dermatológicas. Médicos alertam que as imagens geradas frequentemente apresentam resultados fisicamente impossíveis ou inseguros, ampliando a distância entre expectativas e realidade.
IA redefine padrões de beleza e desafia profissionais da saúde
Dermatologistas e cirurgiões plásticos relatam um aumento no número de pacientes que chegam aos consultórios com imagens geradas por IA, como as produzidas pelo ChatGPT, para ilustrar o resultado desejado em procedimentos estéticos. Segundo a dermatologista Rachel Westbay, de Nova York, uma paciente apresentou uma imagem com lábios desproporcionalmente volumosos e olhos exageradamente grandes, descrita pela médica como uma 'caricatura'. Westbay comparou a situação a um pedido para se parecer com a personagem Ariel, de 'A Pequena Sereia'.
Expectativas irreais e riscos à saúde
Um estudo publicado no ano passado pelo Beth Israel Deaconess Medical Center revelou que pacientes com experiência em usar ferramentas de aprimoramento de imagens por IA possuem expectativas 'significativamente mais altas' em relação aos resultados de cirurgias plásticas. Além disso, as imagens geradas por IA frequentemente ignoram limitações anatômicas e fisiológicas, como a estrutura óssea ou a elasticidade da pele, o que pode levar a complicações pós-operatórias. Westbay destacou que, ao testar o ChatGPT para gerar uma imagem própria, o resultado incluiu uma mão com seis dedos, evidenciando as falhas técnicas dessas ferramentas.
Tecnologia amplia lacuna entre expectativa e realidade
A tendência de usar IA para simular resultados estéticos não é isolada. Antes da popularização dessas ferramentas, pacientes já traziam fotos de celebridades ou de si mesmos em idades mais jovens para ilustrar seus desejos. No entanto, a IA intensificou o problema ao criar imagens hiperidealizadas e muitas vezes inatingíveis. Especialistas alertam que, assim como filtros do Snapchat e o Photoshop, a IA está redefinindo padrões de beleza e criando desafios adicionais para profissionais da saúde, que precisam gerenciar expectativas irreais e explicar os limites da medicina estética.