Japão enfrenta obstáculo tecnológico para zerar imposto sobre alimentos; caixas registradoras travam reforma tributária
O governo japonês, liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi, enfrenta um impasse técnico para cumprir a promessa de zerar o imposto de 8% sobre alimentos. Fabricantes e varejistas alertam que as caixas registradoras do país não estão preparadas para operar com alíquota zero, exigindo reformulações complexas. A medida, estimada em US$ 31,5 bilhões anuais, pode ser substituída por uma redução para 1% como alternativa temporária.
Promessa eleitoral e desafios técnicos
A primeira-ministra Sanae Takaichi, eleita em fevereiro pelo Partido Liberal Democrata (PLD), prometeu suspender temporariamente o imposto de 8% sobre alimentos como resposta à crise do custo de vida no Japão. No entanto, o plano esbarrou em um obstáculo inesperado: as caixas registradoras utilizadas pelas redes varejistas não estão programadas para operar com alíquotas zeradas. O sistema atual, projetado para taxas positivas, exigiria uma ampla reformulação técnica, o que levou o debate a ser apelidado de 'reji-kabe' (muro dos caixas) pela imprensa local. Críticos acusam o governo de usar a dificuldade técnica como justificativa para adiar a medida, considerada financeiramente desafiadora.
Alternativas e impacto fiscal
Diante do impasse, o governo japonês avalia reduzir o imposto sobre alimentos para 1%, em vez de zerá-lo, como solução intermediária. A medida poderia ser implementada em cinco ou seis meses e reduziria o custo fiscal anual de cerca de 5 trilhões de ienes (US$ 31,5 bilhões ou R$ 158 bilhões) para um valor significativamente menor. A oposição pressiona por um cronograma concreto, enquanto o PLD defende a necessidade de ajustes técnicos para evitar falhas no sistema de pagamentos e arrecadação.