Projeto Resgata Influência de Sanitaristas na Construção do SUS em São Paulo
Um projeto liderado por especialistas em saúde pública, historiadores e arquivistas do Museu de Saúde Pública Emílio Ribas, do Instituto Butantan, recuperou e disponibilizou um acervo documental sobre os antecedentes e a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) em São Paulo. O material abrange de 1970 a 1990 e inclui imagens, documentos, cartilhas e boletins técnicos, além de estudos e entrevistas.
Acervo Documental sobre a Formação do SUS em São Paulo
O projeto, capitaneado por especialistas do Museu de Saúde Pública Emílio Ribas, do Instituto Butantan, detalha os antecedentes e o início da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado de São Paulo. O acervo recuperado, produzido por órgãos oficiais entre as décadas de 1970 e 1990, contém imagens, documentos, cartilhas e boletins técnicos. O material foi complementado por estudos acadêmicos e entrevistas com figuras relevantes da época e está disponível em acesso aberto. Ele serve como fonte de dados para pesquisadores interessados em estudar como São Paulo se tornou referência em políticas públicas de saúde durante a redemocratização, impulsionada pela atuação de médicos que se articularam com movimentos da sociedade civil para expandir serviços de saúde em áreas carentes. O pesquisador responsável, Nelson Ibañez, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCM-SCSP), destaca o papel de movimentos sociais e de uma geração de médicos sanitaristas que encontraram em São Paulo um ambiente favorável. Entre os documentos, encontra-se uma cópia do Plano de Saúde de Governo de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil da redemocratização (eleito indiretamente em 1985), que previa a "estruturação e coordenação de um sistema unificado de saúde, observando o princípio democrático da descentralização do poder e dos recursos financeiros nos seus respectivos níveis municipal, estadual e federal", medidas que foram posteriormente consolidadas na Constituição.