Casa da Mulher Brasileira em Manaus segue com obras paralisadas e vítimas de violência enfrentam peregrinação por atendimento
A Casa da Mulher Brasileira, projeto federal criado para centralizar serviços de atendimento a vítimas de violência, permanece inacabada em Manaus. Mulheres relatam dificuldades para acessar proteção e justiça, com deslocamentos entre múltiplos órgãos e gastos elevados. Uma vítima denuncia perseguição constante e violência psicológica após denúncia contra ex-companheiro.
Projeto inacabado e falta de centralização
A Casa da Mulher Brasileira em Manaus, idealizada para reunir serviços como delegacia especializada, Defensoria Pública, Ministério Público e Judiciário, nunca foi concluída. Apesar de receber recursos federais e ter as obras iniciadas, o prédio permanece abandonado. Vítimas de violência doméstica continuam enfrentando uma peregrinação por diferentes órgãos públicos para obter acolhimento, proteção e justiça. Uma mulher, que preferiu não se identificar, relatou que precisou se deslocar entre o IML, delegacia, Creas e Cream, acumulando gastos de até R$ 100 por deslocamento, valor inviável para quem depende de programas sociais como o Bolsa Família.
Violência psicológica e perseguição
A mesma vítima afirmou que, após denunciar o agressor em 2022, passou a sofrer violência psicológica constante. O ex-companheiro, que chegou a ser preso mas responde ao processo em liberdade, passou a monitorar suas filhas como forma de atingi-la. Ela relatou casos de perseguição, sequestro e abuso de uma das filhas, além de ameaças recorrentes. 'Hoje eu praticamente não saio de casa. Só saio para consultas médicas ou para resolver questões relacionadas ao processo', contou. A sensação de insegurança persiste, com a vítima afirmando que sempre se sente observada.