Catadora de 73 anos vive entre 50 toneladas de lixo em SP; coleção de bonecas revela drama de acumulação compulsiva
Anita Antônia, de 73 anos, acumulou cerca de 50 toneladas de lixo em sua casa em São Paulo ao longo de 20 anos. Durante a limpeza, uma coleção de bonecas chamou atenção, simbolizando o apego emocional a objetos. Especialistas apontam que o transtorno de acumulação compulsiva está ligado a traumas e carências afetivas, como a infância difícil da catadora, marcada por trabalho precoce e falta de lazer.
Acumulação compulsiva: entre memória e sobrevivência
Anita Antônia, catadora de recicláveis, acumulou aproximadamente 50 toneladas de lixo em sua residência na zona leste de São Paulo. A ação de voluntários para limpar o imóvel revelou uma coleção de bonecas, cuidadosamente vestidas e organizadas pela moradora. Segundo Anita, as bonecas representavam um resgate de sua infância, período em que não teve oportunidade de brincar devido ao trabalho doméstico precoce na zona rural de Maringá (PR). Especialistas explicam que o transtorno de acumulação compulsiva está frequentemente associado a traumas ou carências emocionais. No caso de Anita, o apego aos objetos reflete a dificuldade de se desfazer de itens que carregam valor sentimental. "Alguns objetos adquirem um valor sentimental para a pessoa. Então, se desfazer daquilo é muito sofrido", destacou um profissional da área. A vida de Anita foi marcada por desafios: criada sem a presença do pai, ela migrou para São Paulo para trabalhar como doméstica. Após se separar do marido, que prometeu ampliar a casa, ela passou a sustentar o filho com necessidades especiais como catadora de recicláveis. A acumulação de lixo começou após ela perder o emprego formal e se tornar mãe solo.
Limpeza e apoio comunitário
A limpeza da residência de Anita foi realizada por voluntários, que retiraram toneladas de materiais acumulados. Durante o processo, a coleção de bonecas foi preservada, evidenciando o vínculo emocional da moradora com os objetos. A ação contou com o apoio de vizinhos e organizações locais, que buscaram oferecer suporte psicológico e social à catadora. Anita relatou que as bonecas eram uma forma de preencher lacunas emocionais. "Estava tudo bonitinho, eu gostava do bonequinho. Aí eu pus as roupinhas nela, lavei as minhas bonequinhas", disse. A história da moradora expõe a complexidade do transtorno de acumulação compulsiva, que vai além do simples acúmulo de objetos, envolvendo questões psicológicas profundas.