Estudo de morfologia de abelhas revela caminhos evolutivos e estratégias de adaptação
Pesquisadores da USP, em parceria com a FAPESP, utilizaram a fenômica para mapear a anatomia de abelhas e abelhas-sem-ferrão, comparando espécies atuais com fósseis em âmbar. O estudo revelou como mudanças estruturais, como o alongamento do aparelho bucal, permitiram que esses polinizadores se adaptassem a diferentes tipos de flores ao longo de milhões de anos. A pesquisa destaca que a combinação de genética e morfologia é essencial para entender como esses insetos respondem a estresses ambientais e para selecionar polinizadores ideais para a agricultura e recuperação de ecossistemas diante das mudanças climáticas.
A importância da fenômica
A fenômica estuda o fenótipo — a totalidade das características visíveis — para complementar o mapeamento do DNA pela genômica. No caso das abelhas, essa abordagem permitiu identificar padrões evolutivos que a genética sozinha não revelaria, como a diversidade de formas e comportamentos que garantem o equilíbrio dos ecossistemas.
Análise de fósseis e linhagens extintas
O estudo resolveu impasses taxonômicos ao analisar abelhas preservadas em âmbar. A análise morfológica confirmou a relação entre abelhas-sem-ferrão extintas e as atuais, além de validar a posição de espécies como a abelha dominicana na árvore evolutiva neotropical.
Adaptações estruturais e sucesso evolutivo
A pesquisa identificou que partes do esqueleto dos insetos não evoluem na mesma velocidade. O aparelho bucal das abelhas de língua longa, por exemplo, apresentou um ritmo acelerado de mudanças no período Cretáceo, resultando em estruturas altamente eficientes para acessar néctar em flores tubulares.
Tecnologia e futuro da conservação
O futuro da pesquisa envolve a digitalização de bases de dados anatômicos e o uso de tomografia microcomputadorizada para reconstruções 3D. Essas ferramentas permitirão entender melhor as defesas das abelhas e ajudar na seleção de polinizadores para lavouras agrícolas e florestas em recuperação.