Governo de São Paulo inicia remoção forçada de moradores da Favela do Moinho sem solução habitacional definitiva
A Favela do Moinho, localizada no centro de São Paulo, enfrenta um processo de remoção iniciado em abril de 2025, conduzido pela CDHU, sem garantir moradia adequada para todos os moradores. A proposta inicial exclui famílias com renda abaixo de um salário mínimo e ignora a demanda por reassentamento direto em unidades autogeridas. A intervenção do governo federal trouxe mudanças, mas a situação permanece crítica.
Contexto histórico e resistência
A Favela do Moinho, situada em uma área estratégica próxima a eixos de mobilidade no centro de São Paulo, é alvo de projetos de reestruturação urbana há décadas. Moradores, organizados pela Associação de Moradores da Favela do Moinho, resistem a tentativas de remoção, exigindo soluções habitacionais que atendam às suas necessidades. A área é frequentemente tratada como um 'entrave' a ser removido para dar lugar a populações de maior renda, ignorando seu papel como espaço de vida e comunidade.
Propostas insuficientes e exclusão social
A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) propôs auxílio-aluguel temporário e unidades habitacionais em diferentes estágios de produção ou via cartas de crédito. No entanto, a solução exclui famílias com renda inferior a um salário mínimo, o que, segundo levantamento da própria CDHU, representa pelo menos um quarto dos moradores. A população exige moradia gratuita e o princípio do 'chave a chave', ou seja, reassentamento direto em unidades definitivas, projetadas e construídas em processo autogerido.
Intervenção federal e impasse atual
Após protestos e pressão, o governo federal interveio como proprietário do terreno, alterando a proposta inicial. O programa de compra assistida foi mobilizado para casos de emergência, mas as condições oferecidas ainda não atendem plenamente às demandas dos moradores. A situação permanece crítica, com a remoção em andamento e a falta de uma solução habitacional definitiva e inclusiva.