Estudo revela uso de planta venenosa como anestésico na China antiga há 600 anos
Pesquisadores identificaram vestígios químicos de acônito chinês, uma planta venenosa, em instrumentos cirúrgicos de ferro da Dinastia Ming. A substância era utilizada como anestésico após processos de redução de toxicidade, demonstrando avançado conhecimento médico na época. A descoberta foi publicada na revista Antiquity e destaca práticas ancestrais de medicina tradicional asiática.
Descoberta e análise dos instrumentos
Um estudo publicado na revista Antiquity revelou a evidência química mais antiga do uso de anestésicos em cirurgias, encontrada em instrumentos médicos de ferro datados de cerca de 600 anos atrás, pertencentes à Dinastia Ming (séculos XIV a XVII). Os objetos, uma tesoura e uma pinça, foram descobertos no túmulo de Xia Quan, na cidade de Jiangyin, próxima a Xangai. Pesquisadores da Universidade do Noroeste identificaram resíduos de acônito chinês, uma planta conhecida por suas propriedades analgésicas, apesar de sua alta toxicidade.
Processo de redução de toxicidade
Segundo os autores do estudo, os médicos da Dinastia Ming conseguiam reduzir a toxicidade do acônito chinês antes de utilizá-lo como anestésico. Para isso, misturavam a planta com substâncias ácidas, como vinagre, feijão-mungo e até urina, conforme registrado em textos médicos antigos. O arqueólogo Congcang Zhao destacou que essa prática demonstra o alto nível de conhecimento médico da época, permitindo equilibrar os efeitos medicinais sem expor os pacientes a riscos excessivos.
Técnicas modernas de análise
Os instrumentos foram analisados utilizando técnicas modernas que não danificam peças históricas. A fluorescência de raios X confirmou que os objetos eram feitos de ferro. Essa abordagem permitiu a identificação precisa dos resíduos químicos sem comprometer a integridade dos artefatos, reforçando a importância da preservação e estudo de achados arqueológicos para a compreensão da história da medicina.