Leonardo Padura lança 'Ir Até Havana' e critica bloqueio dos EUA: 'Multiplique a tensão do Brasil por mil'
O escritor cubano Leonardo Padura, vencedor dos prêmios Nacional de Literatura de Cuba (2012) e Princesa de Asturias (2015), lança 'Ir Até Havana', obra que retrata sua relação com a capital cubana em meio à crise econômica e energética agravada pelo bloqueio dos EUA. Em entrevista exclusiva, Padura compara a situação de Cuba à tensão vivida pelo Brasil sob ameaças tarifárias de Donald Trump, afirmando que a realidade cubana é mil vezes mais severa. O autor defende mudanças internas no país, mas rechaça o uso de sua literatura como propaganda política.
Contexto da crise em Cuba e o bloqueio energético
Leonardo Padura descreve a situação atual de Cuba como 'muito complicada e perigosa', destacando o impacto do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos. O escritor faz um paralelo com a tensão vivida pelo Brasil sob ameaças tarifárias de Donald Trump em 2025, mas enfatiza que a realidade cubana é 'mil vezes mais severa'. A crise ocorre em um momento simbólico: o centenário do nascimento de Fidel Castro, completado em 13 de agosto de 2026. Padura ressalta que o país enfrenta dificuldades energéticas e econômicas que afetam diretamente a população, especialmente os mais empobrecidos.
'Ir Até Havana': uma declaração de amor à cidade
Em seu novo livro, 'Ir Até Havana', lançado pela editora Boitempo, Padura apresenta uma narrativa que mescla crítica social e afeto pela capital cubana. Escrita em 2024, a obra retrata Havana como uma cidade em constante transformação, que 'deteriora-se, perde referências, mas continua sendo um território vital'. O autor reforça que o livro é uma 'declaração de amor' à cidade, apesar dos desafios enfrentados. Padura reafirma sua independência literária, recusando-se a usar sua obra como 'espaço de propaganda política', embora reconheça que suas histórias carregam leituras políticas inevitáveis.
Defesa de mudanças e independência literária
Padura defende que Cuba precisa mudar 'não somente por pressões externas, mas porque os cubanos, muitos deles empobrecidos e cansados, precisam que o país mude para o bem'. O escritor reforça que sua literatura não é um instrumento de propaganda, mas sim uma expressão de sua verdade pessoal. 'Digo o que preciso dizer, a minha verdade', afirma. Ele também destaca que, apesar das dificuldades, continua a escrever sobre Cuba com honestidade, sem se curvar a extremos ideológicos. A entrevista completa com Leonardo Padura está disponível no site da Opera Mundi.