Ex-diretor da Petrobras alerta para riscos e modelo de exploração na Foz do Amazonas
Ildo Sauer, ex-diretor da Petrobras e professor da USP, avalia que a descoberta de petróleo na bacia da Foz do Amazonas é promissora, mas alerta que o atual modelo de distribuição de renda do setor não garante investimentos em desenvolvimento social. Ele defende que, sem mudanças estruturais, a riqueza do pré-sal já não foi convertida em melhorias em educação e saúde, e o mesmo pode ocorrer com a Margem Equatorial se o Estado não capturar uma fatia maior do excedo econômico para o Tesouro Nacional.
Desafios da Margem Equatorial
A descoberta no poço Morpho, a 175 km da costa do Amapá, é considerada 'animadora' por apresentar indícios de óleo leve. No entanto, o especialista ressalta que a viabilidade comercial só será confirmada após a perfuração de um segundo poço e estudos geofísicos, processo que pode levar de 5 a 7 anos para iniciar a produção comercial.
Críticas ao modelo atual
Sauer critica o fato de que grande parte dos ganhos do petróleo é absorvida por custos de produção, royalties e lucros de acionistas. Ele sugere o uso de mecanismos que permitam ao Estado brasileiro capturar o excedente econômico para financiar um plano nacional de desenvolvimento, em vez de apenas seguir o modelo de concessão atual.
Papel geopolítico do Brasil
O ex-diretor destaca que o Brasil já se tornou um protagonista relevante na geopolítica do petróleo com o pré-sal. A confirmação de reservas na Foz do Amazonas pode ampliar esse papel, embora o país ainda atue majoritariamente como um 'tomador de preços' no mercado global, dependendo das oscilações de preços definidas pela Opep.