Desocupação da Favela do Moinho completa um ano com 73% das famílias ainda sem moradia definitiva
A desocupação da Favela do Moinho, no Centro de São Paulo, completa um ano com cerca de 30 famílias ainda aguardando solução habitacional. Das 850 famílias com direito à moradia, apenas 540 foram realocadas. Comércio local e estrutura comunitária foram completamente desmantelados, deixando um cenário de escombros e incertezas para os moradores remanescentes.
Contexto e situação atual
A Favela do Moinho, localizada no Centro de São Paulo, completou um ano de desocupação nesta terça-feira (22). Apesar do processo de remoção ter iniciado há um ano, aproximadamente 30 famílias ainda aguardam uma solução definitiva para moradia. Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, 850 famílias têm direito à realocação, mas apenas 540 foram efetivamente transferidas para novas residências até o momento. A comunidade, que existia há mais de 30 anos, abrigava não apenas moradias, mas também um intenso comércio local, incluindo salões de cabeleireiro, padarias, bares e lanchonetes, todos agora desativados.
Impacto na vida dos moradores
Moradores como Yohana Gabriela, peruana e mãe de quatro filhos, relatam a dificuldade de viver em meio aos escombros e à insegurança. Ela reside no andar superior de um imóvel já desocupado, enquanto aguarda a finalização de um contrato com a Caixa Econômica Federal. Yohana expressou a solidão e o medo que agora permeiam a região: 'Aqui já não tem quase mais ninguém, então o que mais tem aqui é morador de rua, então não tem mais nada, só o medo mesmo.' A ausência de vizinhos e a presença crescente de pessoas em situação de rua agravam a sensação de abandono e incerteza entre os que ainda resistem no local.
Estrutura e futuro da região
O antigo silo do Moinho, que funcionou no local por décadas, tornou-se um símbolo visível do vazio deixado pela desocupação. As ruas, antes movimentadas, agora estão praticamente desertas, com poucos moradores circulando em busca de sucata entre os escombros. A Prefeitura de São Paulo e o governo estadual afirmam que estão trabalhando para garantir moradia definitiva a todas as famílias, mas o processo tem sido lento e marcado por desafios burocráticos e logísticos. Enquanto isso, a região, que já foi um ponto de referência comunitária, enfrenta um futuro incerto.