Missa do Vaqueiro de Serrita celebra 56 anos e mantém viva a tradição cultural do sertão pernambucano
A Missa do Vaqueiro, realizada anualmente em Serrita, no Sertão de Pernambuco, completa 56 anos em 2026. O evento, que reúne milhares de pessoas, homenageia a cultura vaqueira e a história de Raimundo Jacó, vaqueiro cuja morte inspirou a música 'A Morte do Vaqueiro', de Luiz Gonzaga. A tradição é passada de geração em geração e simboliza a fé e a resistência dos vaqueiros da região.
Tradição e fé na cultura vaqueira
Serrita, município com cerca de 20 mil habitantes no Sertão de Pernambuco, é reconhecida por preservar a cultura vaqueira como parte essencial do cotidiano. A figura do vaqueiro, que enfrenta as adversidades da caatinga, está presente nas ruas, nas casas e nas tradições locais. José Antonio Brigel, conhecido como Zezé de Sirlei, é um dos organizadores da tradicional pega de boi do município. Aos 66 anos, Zezé começou a trabalhar como vaqueiro ainda criança e destaca as dificuldades da profissão: 'A vida do vaqueiro é a vida mais sofrida de todo vivente. Vaqueiro passa o dia de fome, de sede. Dorme na caatinga quando é preciso'. Apesar dos desafios, a fé é um elemento central na vida dos vaqueiros, que participam ativamente de eventos religiosos e culturais, como a Missa do Vaqueiro.
A origem da Missa do Vaqueiro e a história de Raimundo Jacó
A Missa do Vaqueiro foi criada em homenagem a Raimundo Jacó, vaqueiro habilidoso na arte de aboiar, cuja morte inspirou a música 'A Morte do Vaqueiro', composta por Luiz Gonzaga em 1963. Segundo a lenda, o canto de Jacó atraía o gado e despertava a inveja de outros vaqueiros, resultando em sua morte durante uma emboscada. O crime nunca foi solucionado. O cachorro de Jacó, seu fiel companheiro, teria velado o corpo do dono por dias. A celebração, que ocorre anualmente, simboliza a resistência e a devoção dos vaqueiros, reforçando a importância da cultura sertaneja na identidade de Serrita.