Coito interrompido tem alta taxa de falha e não protege contra ISTs, alertam especialistas
Método contraceptivo conhecido como 'coito interrompido' apresenta taxa de falha de até 20% ao ano no uso típico, segundo médicos. Especialistas destacam que o método não protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e depende de controle preciso da ejaculação, o que é difícil na prática. Líquido pré-ejaculatório também pode conter espermatozoides, aumentando o risco de gravidez.
Taxa de falha e riscos do método
O coito interrompido, prática em que o homem retira o pênis da vagina antes da ejaculação, é considerado um método contraceptivo de baixa eficácia. Segundo o urologista Jorge Hallak, professor da Faculdade de Medicina da USP, a taxa de falha pode chegar a 20% ao ano no uso típico, ou seja, na prática cotidiana. Em condições ideais — sem interferência de álcool, drogas, ansiedade ou ejaculação precoce —, a taxa de falha pode cair para cerca de 4%, mas ainda assim não é recomendado como método exclusivo para evitar gravidez.
Dificuldade de controle e líquido pré-ejaculatório
Especialistas alertam que o controle da ejaculação não depende apenas da vontade do homem. Hallak explica que existe um 'ponto de não retorno', momento em que a ejaculação se torna inevitável. Além disso, o ginecologista José Maria Soares Júnior, também da USP, destaca que o líquido pré-ejaculatório pode conter espermatozoides, aumentando o risco de gravidez mesmo quando a retirada ocorre antes da ejaculação completa. O método também não oferece proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Recomendações dos especialistas
Os médicos ouvidos pelo g1 reforçam que o coito interrompido deve ser evitado por adolescentes ou pessoas que não desejam engravidar. Hallak sugere que o método pode ser uma opção apenas para casais que aceitam o risco de uma gravidez não planejada. No entanto, para maior segurança, recomenda-se o uso combinado com outros métodos contraceptivos, como preservativos ou anticoncepcionais hormonais, que oferecem proteção adicional contra ISTs e gravidez indesejada.