Javier Milei reforça narrativa de 'onda anti-Argentina' para justificar políticas internas, afirmam especialistas
O presidente argentino Javier Milei sustenta a existência de uma suposta 'onda anti-Argentina' global para conter o desenvolvimento do país, mas analistas refutam a tese. Economistas e sociólogos classificam a ideia como 'ridícula' e uma estratégia política para desviar atenção dos impactos sociais de seu governo, comparando-a a táticas de líderes de extrema-direita como Donald Trump e Jair Bolsonaro. O discurso ganhou força após a derrota da seleção argentina na final da Copa do Mundo de 2026.
Contexto e críticas à narrativa de Milei
Javier Milei, presidente da Argentina desde dezembro de 2023, tem repetido a afirmação de que existe uma 'onda anti-Argentina' no cenário internacional, destinada a impedir o progresso do país. A declaração ecoa seu slogan de campanha, 'Vamos a hacer grande a la Argentina otra vez', inspirado no 'Make America Great Again' de Donald Trump. Milei reforça a ideia de um 'nós contra eles', contrastando o passado de prosperidade econômica da Argentina com a atual crise social e econômica. No entanto, especialistas consultados pelo G1 refutam a tese. O economista Fabio Giambiagi, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas e autor do livro 'Argentina para Brasileiros', classifica a ideia como 'simplesmente ridícula'. Para Giambiagi, não há evidências concretas de uma ofensiva global contra o país. O sociólogo Rogério Baptistini, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, complementa que a narrativa é amplificada por redes digitais e serve como estratégia política para desviar a atenção dos resultados sociais negativos do governo Milei, que afetam principalmente as classes médias e trabalhadoras. Baptistini compara a retórica de Milei à de outros líderes de extrema-direita, como Trump e Jair Bolsonaro, que utilizam a criação de inimigos externos para capitalizar ressentimentos internos. A narrativa ganhou tração recente após a derrota da seleção argentina na final da Copa do Mundo de 2026, contra a Espanha, um evento esportivo que, segundo analistas, foi usado para reforçar o discurso de perseguição.