Tribunal boliviano anula mandados de prisão contra líderes sindicais e intensifica crise política no país
O Tribunal de Sentenciamento de La Paz anulou os mandados de prisão contra o secretário-geral da Central Operária Boliviana (COB), Mario Argollo, e o dirigente da federação camponesa Túpac Katari, Vicente Salazar. A decisão ocorre em meio a 29 dias de protestos que exigem a renúncia do presidente Rodrigo Paz Pereira e o fim de medidas neoliberais. A COB convocou um encontro ampliado para decidir sobre a aceitação de diálogo com o governo.
Decisão judicial e reações dos movimentos sociais
O Tribunal de Sentenciamento de La Paz anulou, na sexta-feira (29/05), os mandados de prisão contra Mario Argollo, secretário-geral da Central Operária Boliviana (COB), e Vicente Salazar, dirigente da federação camponesa Túpac Katari. A anulação dos mandados era uma das principais reivindicações dos movimentos sociais para viabilizar negociações políticas com o governo boliviano. A decisão foi tomada pelo Tribunal Anticorrupção e de Violência contra a Mulher nº 2 de La Paz, em um contexto de 29 dias de protestos contínuos e 77 bloqueios de estradas em seis departamentos do país.
COB convoca encontro para definir estratégias
A COB convocou um encontro ampliado de organizações populares para este sábado (30/05) na cidade de El Alto. O objetivo é avaliar a situação política e decidir se aceita ou não o diálogo formal com o Poder Executivo. Mario Argollo, que estava foragido, reapareceu em vídeo e afirmou que sua participação em qualquer negociação dependerá da decisão das bases mobilizadas. "Não vou trair a nossa base, o povo mobilizado. Qualquer apelo ao diálogo deve ser decidido pela base", declarou Argollo.
Rejeição ao diálogo e pedidos de renúncia
Em diversas regiões da Bolívia, manifestantes rejeitaram a possibilidade de diálogo com o governo e mantiveram os pedidos pela renúncia do presidente Rodrigo Paz Pereira. Hernán Huanca, líder da Federação de Conselhos de Bairro (Fejuve) de El Alto, anunciou novas medidas de pressão: "Decidimos tomar novas medidas; já estamos sendo monitorados e nossos nomes estão sendo rastreados". Os protestos continuam a paralisar o país, com bloqueios de estradas e mobilizações em massa.