Pacientes com Câncer no Brasil Viajam até Seis Vezes Mais para Tratamento Oncológico
Um estudo nacional revelou que pacientes com câncer no Brasil percorrem distâncias significativamente maiores para acessar tratamentos de radioterapia, com a média de 442 km na região Norte contrastando com cerca de 70 km no Sul e Sudeste. Mais de 60% dos pacientes precisam deixar seus municípios para realizar o procedimento.
Disparidade Geográfica no Acesso à Radioterapia
Um estudo publicado em 2026 na revista científica International Journal of Radiation Oncology, Biology, Physics, analisou mais de 840 mil procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) e constatou que a necessidade de deslocamento para tratamento oncológico varia drasticamente entre as regiões do Brasil. A distância média percorrida é de 120 km, mas essa média mascara grandes diferenças regionais: pacientes no Norte percorrem em média 442 km, no Centro-Oeste 238,9 km, no Nordeste 161,8 km, enquanto no Sul e Sudeste a média é de aproximadamente 70 km. Isso implica que um paciente do Norte viaja até seis vezes mais do que um do Sul para receber o mesmo tipo de tratamento. O médico radio-oncologista Fabio Ynoe de Moraes, membro da Sociedade Brasileira de Radioterapia, aponta que o acesso ao tratamento é determinado pelo território, refletindo um problema estrutural.
Relato de Paciente Exemplo da Necessidade de Deslocamento
A história de Jakeline Cardoso Lima, 41 anos, ilustra a dificuldade de acesso ao tratamento. Residente no interior do Amazonas, ela precisou viajar três dias de barco até Manaus para confirmar um câncer de colo do útero. Sem opções de tratamento em sua cidade natal, foi orientada a permanecer na capital durante toda a terapia. Incapaz de se deslocar diariamente, Jakeline mudou de residência temporariamente, com uma filha de 16 anos para auxiliá-la, enquanto a filha mais nova ficou com o avô. Foram seis meses fora de casa para completar 28 sessões de radioterapia, além de quimioterapia e outros procedimentos.