Trump e aliados intensificam ofensiva para remodelar educação nos EUA com foco em 'educação patriótica'
Donald Trump e grupos conservadores como o Moms for Liberty (M4L) avançam em iniciativas para remodelar o sistema educacional americano, promovendo o que chamam de 'educação patriótica' e combatendo abordagens como a teoria crítica racial. A estratégia inclui influenciar eleições de conselhos escolares, propor legislações restritivas e associar pautas progressistas a 'doutrinas marxistas'.
A criação da Comissão 1776 e o combate à teoria crítica racial
Em 2020, Donald Trump anunciou a criação da Comissão 1776, um órgão destinado a promover o que classificou como 'educação patriótica' nas escolas americanas. O grupo identificou a teoria crítica racial como uma 'doutrina marxista', alegando que ela defende a ideia de que os Estados Unidos são uma 'nação perversa e racista', onde até crianças seriam 'cúmplices da opressão'. A comissão argumentou que a teoria exigiria uma 'transformação radical' da sociedade e chegou a classificá-la como uma forma de 'abuso infantil'. A iniciativa se insere em uma longa tradição de resistência conservadora a políticas de equidade nas escolas, abrangendo desde refeições subsidiadas até currículos inclusivos, proteção à saúde e expressão de gênero dos estudantes, além de leis mais rígidas sobre armas de fogo.
Moms for Liberty: estratégias e polêmicas
O grupo Moms for Liberty (M4L), que se autodenomina uma 'organização de mães de base' e afirma ter 130 mil membros em todo o país, tem sido uma das principais forças por trás da ofensiva conservadora nas escolas. Desde maio de 2021, o grupo tem como alvo reuniões de conselhos escolares, especialmente no condado de Williamson, no Tennessee, sob a liderança de Robin Steenman. O M4L já influenciou mais de mil eleições para conselhos escolares e colaborou na elaboração de legislações como a 'Don’t Say Gay', aprovada na Flórida e no Alabama, que proíbe discussões sobre orientação sexual e identidade de gênero em salas de aula. O Southern Poverty Law Center (SPLC) classificou o grupo como extremista após um tuíte que descreveu a disforia de gênero como 'um transtorno de saúde mental sendo normalizado por predadores em todo os EUA'. O M4L também mantém laços com grupos como os Proud Boys e já publicou um boletim citando Adolf Hitler: 'Aquele que possui a juventude, ganha o futuro'.
Impacto nas escolas e na dinâmica social dos estudantes
A ofensiva conservadora tem gerado um ambiente de polarização nas escolas, onde estudantes são expostos a narrativas que reforçam a rejeição a abordagens inclusivas e progressistas. Segundo o LitHub, as escolas se tornaram espaços onde alguns alunos aprendem que 'rejeitar os outros de forma implacável não é apenas permissível, mas necessário', como forma de eliminar a competição. Enquanto algumas rejeições podem ser superadas com estudo e resiliência, outras exigem a mobilização de lobistas, advogados e políticos para garantir a implementação de agendas específicas. A estratégia de grupos como o M4L e a Comissão 1776 reflete uma tentativa de institucionalizar visões conservadoras, limitando o acesso a discussões sobre diversidade, equidade e inclusão no ambiente escolar.