Modelo socialista chinês de IA é defendido como alternativa ao capitalismo ocidental em novo livro
O tecnólogo chinês Jeff Xiong lança no Brasil o livro 'Além do Vale do Silício – Inteligência Artificial com Características Chinesas', propondo um modelo socialista de IA para o Sul Global. A obra critica a abordagem capitalista ocidental, focada em lucro, e defende a democratização da tecnologia para atender necessidades humanas básicas, como saúde, educação e moradia. Xiong argumenta que a IA deve liberar trabalhadores de tarefas perigosas e repetitivas, em vez de eliminar empregos.
Críticas ao modelo ocidental de IA
Jeff Xiong, em seu livro 'Além do Vale do Silício – Inteligência Artificial com Características Chinesas', aponta que a inteligência artificial desenvolvida no Ocidente, sob influência dos Estados Unidos, é voltada prioritariamente para a obtenção de lucro. Segundo ele, essa abordagem capitalista ignora necessidades humanas fundamentais, como alimentação, moradia, saúde e educação, priorizando interesses corporativos em detrimento do bem-estar coletivo. Xiong destaca que ferramentas como ChatGPT e Gemini exemplificam essa lógica, onde a inovação é impulsionada pela competição de mercado entre gigantes privados.
Proposta do modelo socialista chinês
O modelo de IA defendido por Xiong, baseado na ferramenta DeepSeek, propõe uma abordagem socialista, onde a tecnologia é utilizada para democratizar o acesso e liberar os trabalhadores de atividades perigosas, extenuantes ou repetitivas. O autor argumenta que a IA deve ser uma ferramenta de empoderamento coletivo, não concentrada nas mãos de poucas corporações. Para Xiong, a intervenção estatal é necessária para evitar a concentração de poder tecnológico e garantir que a IA sirva ao interesse público, especialmente nos países do Sul Global.
Debate sobre colonialismo tecnológico
Xiong alerta para um novo tipo de colonialismo tecnológico praticado pelos países ocidentais contra nações menos desenvolvidas. Segundo ele, a dependência de modelos de IA controlados por corporações privadas reforça desigualdades globais, submetendo o Sul Global a uma lógica de exploração. O livro defende que a abordagem chinesa, ao priorizar a intervenção estatal e a democratização da tecnologia, oferece uma alternativa para que os países em desenvolvimento possam utilizar a IA de forma soberana e alinhada às suas necessidades sociais.