Diretor de 'O Filho de Saul' alerta para 'orgia de antissemitismo' no Ocidente durante estreia em Cannes
O diretor László Nemes, vencedor do Oscar por 'O Filho de Saul', declarou em entrevista ao The Guardian durante o Festival de Cannes 2026 que uma 'orgia de antissemitismo' está dominando o Ocidente. Ele atribuiu a dificuldade de distribuição nos EUA de seu novo filme, 'Orphan', à crescente hostilidade contra temas judaicos na indústria cinematográfica. Nemes criticou ainda a politização do cinema e o boicote a Israel promovido por cineastas em 2025, classificando essas ações como parte de uma 'regressão anti-humanista'.
Contexto e declarações
László Nemes, diretor do aclamado filme 'O Filho de Saul' (2015), que lhe rendeu o Oscar de Melhor Filme Internacional, utilizou a estreia de seu terceiro longa-metragem, 'Moulin', no Festival de Cannes 2026 para alertar sobre o avanço do antissemitismo no Ocidente. Em entrevista ao The Guardian publicada em 18 de maio de 2026, Nemes afirmou que há uma 'orgia de antissemitismo, uma orgia absoluta e vergonhosa' tomando conta da região. Ele destacou que seu filme 'Orphan' (2025), uma obra 'intensamente pessoal' baseada na vida de seu pai e ambientada na Hungria pós-Segunda Guerra Mundial, ainda não encontrou distribuição nos Estados Unidos, atribuindo essa dificuldade ao aumento do sentimento antijudaico no país.
Críticas à indústria cinematográfica e à política
Nemes criticou duramente a politização do cinema e as mudanças no cenário cultural e online, que, segundo ele, estão dominados por uma 'obsessão racial' e políticas de identidade. O diretor afirmou que, se 'O Filho de Saul' fosse lançado hoje, não chegaria nem à lista preliminar do Oscar 'por causa da politização do cinema, porque qualquer coisa que seja judaica é agora considerada... Ninguém tocaria nisso nem com uma vara de três metros'. Ele também mencionou o boicote a Israel promovido por cineastas e criativos em setembro de 2025, classificando essas ações como parte de uma 'regressão anti-humanista' que se espalha de forma eficaz por não ser identificada como tal. Para Nemes, o antissemitismo é um 'vetor potente' dessa regressão, comparando a situação atual à da Europa antes da ascensão do Partido Nazista.
Reações e impacto
As declarações de Nemes geraram repercussão imediata no festival e na imprensa internacional. Ao ser questionado sobre a percepção de que os signatários do boicote a Israel agiam em defesa dos direitos humanos, o diretor respondeu: 'Sabemos como funcionam as mentalidades totalitárias'. Ele reforçou que o judeu tem sido historicamente tratado como 'inimigo interno' e que essa narrativa atingiu proporções semelhantes às do antissemitismo europeu pré-Segunda Guerra Mundial. A entrevista destacou ainda a preocupação do diretor com o futuro do cinema que aborda temas judaicos, dada a crescente resistência da indústria em apoiar tais projetos.