Estudo no Reino Unido revela aumento de câncer em jovens e espelha tendência global, incluindo o Brasil
Pesquisa publicada no BMJ Oncology analisou dados de 2001 a 2019 e identificou crescimento na incidência de 11 tipos de câncer em adultos de 20 a 49 anos. O aumento do IMC foi apontado como um dos fatores relevantes, mas outros riscos conhecidos não explicam totalmente a tendência. Especialistas brasileiros confirmam observação semelhante no país, destacando a necessidade de revisão nos protocolos de rastreamento.
Dados do estudo e fatores de risco
Um estudo conduzido na Inglaterra, publicado em abril de 2026 no periódico BMJ Oncology, acompanhou registros de câncer ao longo de 18 anos (2001 a 2019) e identificou um aumento na prevalência de 11 tipos de tumores em adultos com idades entre 20 e 49 anos. Os pesquisadores investigaram se esse crescimento estava relacionado a fatores de risco conhecidos, como obesidade, tabagismo, consumo de álcool, dieta inadequada e sedentarismo. Os resultados indicaram que o aumento do Índice de Massa Corporal (IMC) contribuiu significativamente para a tendência, enquanto outros fatores não apresentaram relação direta consistente. Isso sugere que parte do fenômeno ainda não possui explicação clara nos riscos tradicionalmente associados ao câncer.
Impacto no Brasil e desafios para a oncologia
Embora o estudo tenha focado na população inglesa, os resultados refletem uma realidade observada também no Brasil. Raphael Brandão, chefe da área de oncologia da Rede São Camilo de São Paulo, afirmou que a oncologia clínica já percebia um aumento no número de pacientes jovens, mas o fenômeno era tratado como exceção. O estudo confirma que se trata de uma tendência consistente, com crescimento anual de 1% a 3% na incidência de câncer em adultos com menos de 50 anos. Brandão destacou que os protocolos de rastreamento, atualmente direcionados a populações mais velhas, podem precisar de revisão para atender a essa nova realidade.