Indígena 'Aparecida' encontrada na Paraíba em 1974 reacende debate sobre povos considerados extintos
No dia 19 de julho de 1974, uma mulher identificada como 'Aparecida' foi encontrada na Serra das Flechas, em Pedra Lavrada (PB), após ser avistada furtando pequenos animais. Pesquisadores acreditam que ela pertencia ao povo Tapuia Tarairiú, considerado extinto desde o século XVI. Sua história levanta questões sobre a sobrevivência de grupos indígenas isolados na caatinga.
Descoberta e identidade
Aparecida foi capturada em 1974 na região do Seridó paraibano, após ser flagrada furtando animais. Segundo o historiador Ian Cordeiro, ela não falava português e apresentava costumes e dieta compatíveis com povos indígenas. Sua presença surpreendeu pesquisadores, já que o povo Tapuia Tarairiú, ao qual ela possivelmente pertencia, era dado como extinto desde a Guerra dos Bárbaros, no final do século XVI. O professor Humberto Bismark Dantas, da UFPE, sugere que ela poderia ser uma 'cabocla brava', termo usado para indígenas que mantiveram modos de vida isolados na caatinga mesmo após a colonização.
Vida após a captura
Após ser encontrada, Aparecida foi levada para a casa do então prefeito de Pedra Lavrada, Manoel Rodrigues, e ficou sob os cuidados de Maria do Céu, uma empregada da família. Em 1975, ela fugiu e viveu por cerca de quatro meses na região de Maxinaré (ou Mufumbo), a 7 km da cidade. Acredita-se que a fuga tenha sido motivada pelo medo do marido de Maria do Céu, que se tornava violento quando alcoolizado. Sua história foi resgatada como um dos registros mais significativos da presença indígena na Paraíba.