Deputado Thiago Rangel é acusado de negociar cargos na Educação para traficante em esquema de fraudes, diz PF
Áudios e mensagens obtidos pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne revelam que o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) atuava diretamente na nomeação de cargos estratégicos na Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. A investigação aponta ainda negociações de vagas para pessoas ligadas ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como 'Júnior do Beco'. Rangel está preso há 13 dias sob acusação de chefiar esquema de fraudes e desvios de recursos públicos.
Áudios revelam interferência direta em cargos da Educação
A Polícia Federal obteve áudios e mensagens em que Thiago Rangel, deputado estadual pelo Avante, dá ordens diretas à então diretora regional de Educação do Noroeste Fluminense, Júcia Gomes de Souza Figueiredo. Em um dos diálogos, Rangel afirma: 'Júcia, continua aí do jeito que você tem que estar. Tudo que acontecer dentro da regional eu quero saber. Eu não tenho que dar satisfação a ninguém. O deputado sou eu. A indicação é minha e quem manda sou eu'. A mensagem foi enviada em agosto de 2024 e faz parte do inquérito que resultou na prisão preventiva do parlamentar, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Júcia Gomes também foi presa na operação.
Negociação com traficante e esquema de fraudes
Além da interferência em cargos, a PF apura que Thiago Rangel negociava vagas na Secretaria de Educação para pessoas ligadas ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, o 'Júnior do Beco'. O deputado é acusado de chefiar um esquema de fraudes em contratos de obras e serviços da rede estadual de ensino, além de lavagem de dinheiro envolvendo empresas e postos de combustíveis. A Regional Noroeste da Seeduc, comandada por Júcia Gomes, abrange 57 escolas estaduais em 13 municípios do Norte e Noroeste Fluminense, com mais de 3.200 servidores.