Museu da Língua Portuguesa cancela exposição sobre funk após pressão de políticos de extrema direita
A mostra 'Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade', em cartaz no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, foi encerrada antes do previsto após ataques de parlamentares de extrema direita. A curadora Renata Prado denunciou censura e falta de diálogo com as autoridades responsáveis pelo museu. A exposição, que reunia 473 obras e conteúdos inéditos sobre o funk paulista, estava programada para seguir até agosto de 2026, mas foi finalizada em 31 de maio.
Contexto da exposição e encerramento antecipado
A exposição 'Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade' estava em exibição no Museu da Língua Portuguesa desde novembro de 2025, após temporada de um ano e meio no Museu de Arte do Rio (MAR). A mostra incluía 473 obras, como fotografias, audiovisuais, vestuário e outros itens, além de conteúdos inéditos sobre o funk paulista. Segundo a curadora Renata Prado, a previsão era de que a exposição permanecesse até agosto de 2026, mas foi encerrada abruptamente em 31 de maio, sem aviso prévio ou diálogo com a equipe curatorial. O museu não se pronunciou oficialmente até a publicação desta reportagem.
Denúncia de censura e ataques políticos
Renata Prado publicou uma carta aberta nas redes sociais denunciando censura e falta de apoio institucional. Ela afirmou que a decisão de encerrar a exposição ocorreu após vídeos e manifestações de parlamentares de extrema direita, que associaram o conteúdo da mostra à apologia ao crime, às drogas e à narcocultura. Um dos críticos foi o deputado estadual Tenente Coimbra (PL), que divulgou imagens da exposição em suas redes sociais. Segundo Prado, o Museu da Língua Portuguesa monitorou a repercussão negativa, mas não adotou medidas para proteger a exposição ou mediar o diálogo com os críticos. 'Sofremos um ataque sistemático e não conseguimos nos defender', declarou a curadora.
Reações e impacto cultural
A curadora destacou que o acesso à cultura é um direito constitucional e que a interrupção da exposição representa uma violação desse princípio. 'Nós saímos pela porta de trás do museu', afirmou, em referência à falta de transparência no processo. A mostra foi alvo de críticas por parte de grupos conservadores, que questionaram sua adequação e conteúdo. Renata Prado ressaltou que o Museu da Língua Portuguesa realizou reuniões prévias para entender a singularidade do movimento funk e os possíveis riscos de retaliação, mas não houve ações efetivas para garantir a continuidade da exposição.