Câmara dos Deputados vota PEC do fim da escala 6x1 em meio a pressão de empresários e governo Lula
A Câmara dos Deputados deve votar nesta quinta-feira (28) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais. O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), promete colocar o tema em pauta após semanas de pressão de setores empresariais e da extrema direita, que buscam ampliar o período de transição ou obter compensações fiscais. O governo Lula apoia a medida, enquanto pré-candidatos como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendem a 'flexibilização' das jornadas.
Pressão empresarial e resistência política
Representantes patronais e líderes da extrema direita tentam emplacar alterações na PEC, incluindo a redução de encargos trabalhistas e um período de transição de até dez anos para implementar a mudança. A proposta, inicialmente tratada como 'inviável' ou 'populista', ganhou força política após o governo Lula assumir a pauta e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), acelerar sua tramitação. Parlamentares de direita também passaram a enxergar potencial eleitoral no tema, o que intensificou o debate.
Estudos contrariam discurso de colapso econômico
Enquanto entidades empresariais alertam para riscos de desemprego e crise econômica, a economista Marilane Teixeira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), apresenta estudos que indicam o contrário. Segundo a pesquisadora, a redução da jornada não apenas é viável como pode gerar impactos positivos no mercado de trabalho. O posicionamento de Teixeira tem irritado lobistas e representantes patronais em Brasília, que veem seus argumentos sendo contestados por dados técnicos.