Justiça Federal condena jovens por recrutar adolescentes para grupos extremistas nazistas na Serra Gaúcha
Dois jovens, de 19 e 20 anos, foram condenados pela Justiça Federal de Caxias do Sul (RS) por corrupção de menores e incitação à discriminação e ao preconceito. Eles comandavam grupos online que disseminavam ideologias extremistas, recrutavam adolescentes e compartilhavam conteúdo nazista e instruções para fabricação de explosivos. A investigação teve origem em alerta da agência de segurança interna dos EUA (Homeland Security Investigations).
Contexto e condenação
A Justiça Federal em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, condenou dois jovens por envolvimento em atividades extremistas online. O réu de 20 anos recebeu pena de três anos e quatro meses de reclusão, enquanto o de 19 anos foi sentenciado a dois anos e dois meses. Ambos foram absolvidos das acusações de incitação e apologia ao crime, pois as mensagens foram trocadas em chats privados, sem caráter público.
Atividades criminosas e provas
Os jovens operavam grupos em redes sociais com nomes que faziam alusão ao nazismo. Nesses espaços, recrutavam adolescentes para ideologias extremistas, compartilhavam manuais de fabricação de bombas, imagens de armas e propaganda nazista. A investigação revelou que ao menos cinco menores foram induzidos a praticar crimes. Em conversas, um dos réus instruía um adolescente colombiano sobre como fabricar explosivos, enquanto o outro incentivava uma menor a usar uma arma. As provas foram obtidas a partir de material encontrado nos aparelhos eletrônicos dos acusados, que continham discursos de ódio, racismo e conteúdo supremacista.
Defesa e argumentação judicial
Em sua defesa, o jovem de 20 anos alegou que as conversas eram apenas 'bravatas virtuais' e que não houve atos concretos. Já o réu de 19 anos afirmou ter sido vítima de bullying e que criou um 'personagem' fictício, sem intenção real de cometer crimes. O juiz, no entanto, considerou as provas contundentes e rejeitou os argumentos da defesa, destacando a gravidade das ações dos acusados.