Consórcio de 16 prefeitos assume gestão do Hospital Regional de Sinop em meio a questionamentos judiciais
A gestão do Hospital Regional Jorge de Abreu, em Sinop (MT), será transferida para o Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires (CPSVTP), formado por prefeitos de 16 municípios. A mudança, oficializada pelo governo estadual, prevê ampliação de leitos e serviços, mas enfrenta contestação na Justiça por falta de experiência comprovada do consórcio em gestão hospitalar.
Detalhes da transferência de gestão
O Hospital Regional Jorge de Abreu, localizado em Sinop (MT), a 480 km de Cuiabá, terá sua administração transferida para o Consórcio Público de Saúde Vale do Teles Pires (CPSVTP). O consórcio é composto por prefeitos de 16 municípios da região norte de Mato Grosso. A oficialização da mudança ocorreu nesta segunda-feira (25) pelo Governo do Estado, com previsão de transição em até 120 dias, sem interrupção dos atendimentos. Entre as propostas do consórcio estão a ampliação dos serviços oferecidos pelo hospital, o aumento do número de leitos de 98 para 158, e a expansão de atendimentos em áreas como urologia, cirurgia pediátrica e cirurgia oncológica. O hospital é referência para 35 municípios da região e atende casos graves por meio do sistema 'vaga zero', utilizado para transferências urgentes.
Questionamentos judiciais e preocupações
A transferência da gestão do hospital para o consórcio é alvo de um processo judicial protocolado na Justiça de Mato Grosso. A ação questiona os critérios adotados pelo Estado para a entrega da administração ao consórcio e aponta dúvidas sobre a experiência da entidade na gestão hospitalar. O processo destaca discrepâncias entre o modelo adotado em Sinop e o Chamamento Público nº 003/2026, da Secretaria de Estado de Saúde (SES), que visa administrar o Hospital Estadual do Alto Tapajós. O edital exige experiência comprovada em gestão hospitalar e proíbe a participação de consórcios, diferentemente do caso de Sinop. Profissionais da saúde e gestores municipais manifestaram preocupações sobre possíveis impactos no pronto-socorro, na regulação de pacientes e nos atendimentos de alta complexidade após a mudança de gestão.