Relatório revela alta mortalidade no sistema prisional de São Paulo: uma morte a cada 19 horas
Um relatório do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e outras entidades aponta que uma pessoa privada de liberdade morre a cada 19 horas no sistema penitenciário de São Paulo. Entre 2015 e 2023, 4.189 mortes foram registradas, muitas delas evitáveis com tratamento médico adequado e melhores condições sanitárias. A falta de profissionais de saúde e a superlotação nas unidades prisionais são os principais fatores contribuintes.
Falta de assistência médica e superlotação
O relatório destaca que 78 das 180 unidades prisionais do estado de São Paulo não possuem equipes vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). A ausência de médicos, enfermeiros, psicólogos e dentistas em unidades como a Penitenciária de Parelheiros, que opera com 180% da capacidade, agrava a situação. Entre janeiro e setembro de 2025, quase 17 mil atendimentos médicos foram cancelados por falta de escolta para transporte dos presos a hospitais externos, incluindo consultas especializadas, cirurgias e exames diagnósticos.
Doenças evitáveis como principal causa de mortes
A maioria das mortes no sistema prisional paulista é causada por doenças preexistentes ou adquiridas devido às condições insalubres das celas. A tuberculose e complicações decorrentes de diabetes estão entre os problemas de saúde mais letais. Claudia Aratangy, advogada e membro do Conselho da Comunidade, ressaltou que a alimentação deficiente e a falta de ventilação nas celas superlotadas contribuem significativamente para o agravamento dessas condições.