Cardiomiopatia hipertrófica: Doença genética ou agravada por anabolizantes causa morte de fisiculturista aos 22 anos
O fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley morreu aos 22 anos em São Paulo devido à cardiomiopatia hipertrófica, doença que provoca espessamento anormal do músculo cardíaco. A condição pode ser genética ou adquirida, com o uso de anabolizantes como um dos fatores de risco. A doença é uma das principais causas de morte súbita em jovens e atletas, especialmente durante esforços físicos intensos.
O que é a cardiomiopatia hipertrófica?
A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença caracterizada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco, especificamente das paredes do ventrículo. Esse espessamento reduz o espaço interno do coração, dificultando o enchimento e o bombeamento de sangue, além de desorganizar os impulsos elétricos que regulam os batimentos cardíacos. Segundo o cirurgião cardiovascular Ricardo Katayose, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, a espessura normal da parede ventricular é de até um centímetro, mas em casos extremos pode ultrapassar 30 milímetros. A doença pode levar a arritmias graves, insuficiência cardíaca e morte súbita, especialmente durante atividades físicas intensas.
Causas genéticas e adquiridas
A cardiomiopatia hipertrófica pode ter origem genética ou ser adquirida ao longo da vida. Na forma genética, o espessamento é geralmente assimétrico, afetando uma das paredes do coração de maneira desproporcional. A doença segue um padrão autossômico dominante, com 50% de chance de ser transmitida de pais para filhos, e é uma das principais causas de morte súbita em pessoas com menos de 35 anos. Além disso, o uso de esteroides anabolizantes, comum entre fisiculturistas, pode agravar ou desencadear a condição, conforme explicado pelo cardiologista Elzo Mattar, diretor do departamento de hipertensão arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia.