Irã mantém estoque de urânio enriquecido e nega acordo para entrega aos EUA; especialistas alertam para risco nuclear
O vice-ministro de Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, negou acordo para entregar seu estoque de urânio enriquecido aos Estados Unidos, apesar de declarações do presidente Donald Trump. O material, essencial para a produção de armas nucleares, continua sob controle iraniano, levantando preocupações sobre a capacidade do país de fabricar uma bomba atômica. Especialistas explicam o processo de enriquecimento e os riscos associados ao acúmulo de urânio altamente concentrado.
Negociações em xeque: Irã nega entrega de urânio enriquecido
O vice-ministro de Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, desmentiu nesta segunda-feira (20/04) a afirmação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Teerã havia concordado em entregar seu estoque de urânio enriquecido como parte de um acordo para encerrar a guerra. Khatibzadeh classificou a ideia como 'inviável' em declaração à agência de notícias AP. As negociações entre os dois países seguem em andamento, mas o futuro do material nuclear iraniano permanece como um dos principais pontos de tensão.
O que é urânio enriquecido e por que é perigoso?
O urânio enriquecido é obtido por meio de um processo que aumenta a concentração do isótopo U-235, capaz de sustentar uma reação nuclear em cadeia. O urânio natural contém apenas 0,7% de U-235, enquanto o restante é composto pelo isótopo U-238, que não é fissionável. Para enriquecer o urânio, o material é transformado em gás e submetido a centrífugas de alta velocidade, que separam os isótopos por diferença de peso. O U-235, mais leve, concentra-se no centro das centrífugas, permitindo sua extração em níveis variados de pureza. Enquanto o urânio com baixo enriquecimento (3% a 5% de U-235) é usado em reatores nucleares para geração de energia, o urânio altamente enriquecido (acima de 90%) é utilizado na fabricação de armas nucleares.
Riscos e implicações geopolíticas
O acúmulo de urânio enriquecido pelo Irã representa um risco significativo para a estabilidade regional e global. Especialistas alertam que, mesmo sem um acordo formal, o país possui capacidade técnica para produzir uma bomba atômica caso decida prosseguir com o enriquecimento acima de 90%. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) monitora de perto as atividades nucleares iranianas, mas as tensões entre Teerã e Washington dificultam inspeções independentes. A recusa do Irã em entregar seu estoque de urânio reforça a desconfiança internacional e aumenta a pressão por sanções econômicas e diplomáticas.