Sobreviventes de câncer enfrentam desafios emocionais e psicológicos mesmo após remissão
Cinco anos após entrar em remissão de câncer de mama, autora relata que a experiência deixa marcas profundas, como medo de recorrência, culpa do sobrevivente e sintomas de estresse pós-traumático. A rotina pós-tratamento é marcada por desafios não antecipados, como a dificuldade de 'superar' a doença e gatilhos emocionais inesperados.
Remissão não significa ausência de trauma
A autora, que completou cinco anos em remissão de câncer de mama, descreve que a data não trouxe a euforia esperada. Em vez disso, foi um dia comum, sem celebrações, refletindo a complexidade emocional de viver após o tratamento. Embora grata pela saúde, ela destaca que a experiência do câncer deixa sequelas psicológicas, como o medo constante de recorrência e a culpa por ter sobrevivido enquanto outros não tiveram a mesma chance. Esses sentimentos são comuns entre sobreviventes, mas raramente discutidos abertamente.
Terapia e gatilhos emocionais
Após o primeiro diagnóstico, a autora buscou terapia especializada em EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares) para lidar com suspeitas de TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático). A terapia ajudou a reduzir a sensação de vulnerabilidade, mas gatilhos cotidianos, como sons semelhantes aos de equipamentos hospitalares, ainda desencadeiam memórias dolorosas. Ela relata que, mesmo anos após a remissão, o 'fantasma do câncer' permanece presente, surgindo em momentos inesperados e reforçando a necessidade de apoio contínuo.