Estudo da Oxfam revela alta na concentração de renda e desigualdade no Brasil
Um relatório da Oxfam Brasil aponta que o 1% mais rico da população passou a concentrar 24,3% da renda nacional em 2023, um aumento significativo em relação a 2017. O estudo destaca que, embora indicadores sociais tenham melhorado e a pobreza tenha diminuído, a riqueza continuou se concentrando no topo da pirâmide, especialmente entre o 0,1% mais rico. Além disso, a organização critica o sistema tributário brasileiro por ser regressivo, favorecendo a renda do capital e dificultando a redistribuição de riqueza, enquanto mulheres e pessoas negras continuam em desvantagem estrutural tanto no mercado de trabalho quanto na representação política.
Crescimento da Desigualdade
O relatório da Oxfam Brasil revela que a desigualdade de renda no país continua crescendo no topo da pirâmide. Em 2023, o 1% mais rico da população concentrou 24,3% de toda a renda do país, contra 20,4% em 2017. Esse fenômeno ocorreu mesmo em um cenário de melhoria dos indicadores sociais, onde o rendimento mensal per capita atingiu o maior nível da série histórica do IBGE e o índice de Gini caiu para 0,506, o menor registrado.
Concentração de Patrimônio
Quando se analisa o patrimônio (imóveis, investimentos e outros bens), a concentração é ainda mais acentuada: o 1% mais rico detém 37,3% de toda a riqueza declarada no país. O Brasil terminou 2025 como o quarto país com maior desigualdade patrimonial do mundo, com cerca de 386 mil milionários em dólar, sendo o líder de milionários na América Latina.
Sistema Tributário e Desigualdade de Gênero
A Oxfam critica a estrutura tributária brasileira por ser 'regressiva', pois concentra a cobrança sobre o consumo e salários, enquanto é 'tímida' sobre o patrimônio e rendimentos do capital. Isso resulta em uma alíquota efetiva de Imposto de Renda de apenas 4,6% para o 0,1% mais rico. Além disso, o estudo destaca que mulheres e pessoas negras sofrem com desigualdades marcantes: mulheres representam 44,1% dos declarantes de IR, mas concentram apenas 38% da renda e 29,5% do patrimônio líquido. No mercado de trabalho, a renda média de mulheres negras é significativamente inferior à de homens não negros.