Lula critica acordo entre mineradora brasileira e empresa dos EUA por 'venda da soberania nacional'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como 'vergonha' o acordo entre a mineradora Serra Verde e a empresa americana USA Rare Earth (USAR), autorizado pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O contrato, avaliado em US$ 2,8 bilhões, prevê a exploração de terras raras em Pina Elma por 15 anos, com financiamento de agências dos EUA. Lula acusou o acordo de representar uma 'venda da soberania' e alertou para riscos à autonomia nacional.
Detalhes do acordo e reações políticas
O acordo entre a Serra Verde e a USA Rare Earth (USAR) envolve a exploração de elementos de terras raras como térbio, ítrio e disprósio no depósito de Pina Elma, em Goiás. O valor total da transação é de US$ 2,8 bilhões, incluindo um pagamento inicial de US$ 300 milhões em dinheiro e US$ 126 milhões em ações da USAR. Além disso, a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA destinou US$ 565 milhões para otimizar a produção. A Serra Verde defendeu a parceria como estratégica para estabelecer uma cadeia de suprimentos 'da mina ao ímã', destacando que o projeto é o único fora da Ásia a produzir em larga escala os quatro elementos magnéticos de terras raras. O governador Ronaldo Caiado, responsável pela autorização, não se pronunciou sobre as críticas de Lula, que classificou o acordo como uma interferência indevida em competência federal.
Implicações geopolíticas e econômicas
O acordo reforça a estratégia dos Estados Unidos para reduzir a dependência da China no fornecimento de terras raras, essenciais para tecnologias como veículos elétricos, turbinas eólicas e dispositivos eletrônicos. A USAR destacou que o projeto é um ativo 'único' no Ocidente, capaz de desafiar o domínio asiático no setor. No entanto, as críticas de Lula refletem preocupações com a soberania nacional e a gestão de recursos estratégicos. O presidente alertou que acordos desse tipo, se não fiscalizados, podem comprometer interesses brasileiros. A polêmica também expõe tensões entre governos estaduais e federal na gestão de recursos minerais, com Lula sugerindo que Caiado ultrapassou suas atribuições ao autorizar a transação.