Estudo questiona uniformidade do Universo e pode redefinir modelo cosmológico padrão
Pesquisadores liderados pela física Asta Heinesen identificaram desvios na homogeneidade e isotropia do Universo, pilares do modelo cosmológico ΛCDM. Utilizando dados de supernovas, oscilações acústicas de bárions e aprendizado de máquina, a equipe encontrou inconsistências estatisticamente relevantes que sugerem a necessidade de revisão do modelo Friedmann-Lemaître-Robertson-Walker (FLRW).
Desafios ao modelo cosmológico padrão
O modelo cosmológico padrão (ΛCDM) baseia-se na premissa de que o Universo é homogêneo e isotrópico em grandes escalas. No entanto, estudos coordenados pela física Asta Heinesen, do Instituto Niels Bohr e da Queen Mary University, utilizaram dados observacionais do catálogo de supernovas Pantheon+, medições do Instrumento Espectroscópico de Energia Escura (DESI) e levantamentos de oscilações acústicas de bárions para testar a consistência do modelo Friedmann-Lemaître-Robertson-Walker (FLRW). Os resultados, publicados no arXiv, indicam desvios leves, mas estatisticamente significativos, com relevância entre 2 e 4 sigma.
Efeitos que distorcem a geometria cósmica
Dois fenômenos podem influenciar a percepção da geometria do Universo. O efeito Dyer-Roeder ocorre porque a luz de objetos distantes atravessa regiões quase vazias do espaço, fazendo com que a densidade de matéria pareça menor do que a real. Já a retroação cosmológica refere-se ao impacto do crescimento de grandes estruturas, como aglomerados e vazios, na taxa de expansão do Universo. A equipe utilizou técnicas de regressão simbólica, um método de aprendizado de máquina, para reconstruir a história da expansão cósmica diretamente dos dados, sem impor um modelo teórico prévio.