Filme 'Dark Horse' sobre Jair Bolsonaro oferecia cotas de até US$ 1,1 milhão com promessa de visto nos EUA
O plano de investimento do filme 'Dark Horse', sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, previa cotas de US$ 500 mil a US$ 1,1 milhão, com promessa de 'oportunidade de imigração' nos Estados Unidos para investidores do pacote mais caro. Eduardo Bolsonaro atuou como produtor-executivo e tinha entre suas funções a captação de recursos, incluindo negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras.
Estrutura de investimento e promessas
O filme 'Dark Horse' dividiu seu orçamento em cotas de investimento para atrair financiadores. Foram oferecidas 40 cotas de US$ 500 mil (totalizando US$ 20 milhões) e cinco cotas de US$ 1 milhão cada. O pacote mais caro, de US$ 1,1 milhão, incluía a promessa de um 'atalho' para visto de residência permanente nos EUA, além de uma cadeira no conselho do filme, permitindo influência na produção. Segundo o plano, os investidores receberiam o valor aplicado acrescido de 20%, com o lucro restante dividido meio a meio entre investidores e produtores. Três cenários de receita global foram projetados: US$ 45 milhões, US$ 70 milhões e US$ 100 milhões.
Envolvimento de Eduardo Bolsonaro e Daniel Vorcaro
O deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo do filme, com a função de captar recursos, conforme contrato obtido pelo Intercept Brasil. O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso pela Polícia Federal por chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras, financiou o projeto. Áudios revelados mostram Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pressionando Vorcaro por pagamentos, que totalizaram R$ 61 milhões. Uma linha de investigação apura se o dinheiro foi destinado à produção ou usado para financiar despesas de Eduardo nos EUA, onde reside desde fevereiro de 2025.