Frases 'torturadas' em artigos científicos expõem uso de IA para burlar detecção de plágio
Pesquisadores utilizam expressões sem nexo, conhecidas como 'frases torturadas', para driblar softwares antiplágio em publicações científicas. Caso recente envolve artigo de 2019 que plagiou tese de 2017 e apresentou imagens falsamente atribuídas a células de camelos. Especialista em integridade científica, Elisabeth Bik, destaca substituição sistemática de termos técnicos por sinônimos bizarros.
Detecção de plágio e uso de IA
As 'frases torturadas' são um fenômeno crescente na literatura científica, onde autores modificam textos originais com sinônimos incomuns ou expressões semanticamente incorretas para evitar a detecção por softwares antiplágio. No artigo publicado na revista *Advances in Environmental Biology* em 2019, pesquisadores da Arábia Saudita e do Egito apresentaram um resumo repleto de termos truncados e repetitivos, como 'definição e definição de micróbios no camelo do camelo'. A microbiologista Elisabeth Bik, em seu blog *Science Integrity Digest*, identificou que o texto plagiava uma tese de 2017 do pesquisador português Alexandre Almeida, da Universidade de Paris VI. Além do plágio textual, o artigo reutilizou imagens de células de coração e língua de dromedários, falsamente descritas como células das mamas de camelos.
Exemplos de distorções semânticas
O artigo em questão substituiu termos técnicos por expressões sem sentido ou inadequadas. Por exemplo, 'cell' (célula) foi trocado por 'cubicle' (cubículo), enquanto 'ecological niches' (nichos ecológicos) virou 'biological specialties' (especialidades biológicas). Outro caso foi a transformação de 'virulence factors' (fatores de virulência) em 'destructiveness parts' (partes destrutivas). Essas alterações não apenas distorcem o significado original, mas também revelam a tentativa de manipular sistemas de detecção de similaridade textual, frequentemente com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial mal utilizadas.